Nota de apoio às trabalhadoras e aos trabalhadores da EBC em greve

16 de novembro de 2017

Assembleia  na EBC opta pela greve

 

As trabalhadoras e os trabalhadores da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) entraram em greve por tempo indeterminado, começando a zero hora desta terça-feira (14). A paralisação ocorre devido à intransigência da empresa, que insiste em manter na mesa de negociação do acordo coletivo a retirada de direitos e o congelamento dos salários e de todos os benefícios, além da exclusão de vales cesta de alimentação e cultura que somam R$ 2.700 no bolso das funcionárias e dos funcionários ao longo de um ano. Trabalhadoras e trabalhadores esses que têm um dos menores salários do Poder Executivo.

Nós, ex-Conselheiras e ex-Conselheiros e Conselheiras e Conselheiros da EBC cassados pela MP 744, seguimos acompanhando os movimentos e observamos, ao longo do ano, como o desmonte feito pelo governo ilegítimo de Michel Temer em diversos setores atingiu em cheio a empresa de comunicação pública, a primeira estatal a sofrer intervenção após o impeachment, cassando justamente o Conselho Curador que integrávamos e que garantia a participação social na gestão da EBC.

Observamos a diminuição da cobertura, em todos os veículos, de pautas de direitos humanos e minorias e o aumento do espaço para o governismo e a defesa dos projetos de reforma. Matérias sobre programas e ações do governo, como o uso das Forças Armadas para o reforço na segurança pública no Rio de Janeiro, ganham destaque sem direito à analises de especialistas nem ao contraditório.

Matérias sobre as manifestações que tomam conta do país, antes com destaque nos veículos, agora são condensadas reunindo poucas informações das cidades onde ainda há cobertura dos veículos, após o fim do projeto de regionalização proporcionado pelos correspondentes. As galerias de fotos nesses casos também, quando há, são postadas com muito atraso em relação aos eventos e com poucas imagens.

Outro risco que a já prejudicada comunicação pública sofre é o desmonte da parte governamental da EBC nas praças do Rio de Janeiro e São Paulo, alegadamente para corte de custos. As e os profissionais da EBC que fazem a prestação de serviço ao governo federal, com a TV NBR e a Voz do Brasil, foram comunicados na última semana que terão que retornar para a sede, em Brasília, compulsoriamente, independente de terem suas vidas e famílias estabelecidas nessas cidades. Além do desrespeito com essas trabalhadoras e esses trabalhadores, tal medida abre brecha para que a TV publica, que é a TV Brasil, seja usada para a cobertura governamental nos estados.

Quanto ao figurativo Comitê Editorial e de Programação, criado pela Lei 13.417/2017, conversão da MP 744, que permitiria uma suposta participação da sociedade civil na EBC, ainda não foi implementado e não há nenhuma sinalização a respeito. No Regimento Interno, revisto e aprovado em agosto último, não consta tal instância, bem como foi extinto também o Comitê Editorial de Jornalismo, reinstalado em 2016 após reivindicação das trabalhadoras e trabalhadores e do Conselho Curador, que contava com jornalistas de todos os veículos da casa para discutir internamente as coberturas.

Portanto, continuamos na defesa da Comunicação Pública e damos todo o apoio ao movimento reivindicatório das trabalhadoras e dos trabalhadores da EBC!

Conselho Curador cassado da EBC e ex-conselheiras e ex-conselheiros em defesa da EBC

Assinam:

Akemi Nitahara

Guilherme Strozi

Eliane Gonçalves

Rita Freire

Evelin Maciel

Ana Veloso

Enderson Araújo 

Venício Lima

Mário Jakobskind

Isaias Dias

Joel Zito Araújo

Rosane Berttoti

Daniel Aarão Reis

Murilo Ramos

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